domingo, 26 de junho de 2016

Capitalismo Selvagem

Faz um tempinho que esse textinho foi escrito (fevereiro), mas continua possuindo validez.


Como em um dia comum, estava presente em uma aula de gramática, na qual o professor pede-nos que verifiquemos a quebra do paralelismo, ou seja, quando, em uma enumeração de palavras, uma delas não pertença ao grupo das outras palavras.
Lê-se, então, a frase: João vendeu sua casa, seu caminhão e muita esperança.
Gramaticalmente, a palavra "esperança" foge do sentido da frase, por ser um substantivo abstrato e não poder ser vendido.
Eis que vem minhas famosas reflexões:

Realmente, sentimentos não podem ser vendidos, mas o que a sociedade vem fazendo ultimamente?
Uma inversão do "ser" em "ter", uma banalização dos sentimentos.
O que João sentiu, então?
Ao ver-se em uma possível dificuldade financeira, teve que vender todos seus bens materiais, esquecendo-se que o que tinha de mais valioso, eram seu valores éticos, morais, sentimentos, momentos, experiências adquiridas com a vivência, amizades construídas ao longo do tempo e, neste conjunto, encontra-se a esperança.
Assim como já escrevi em um poema anterior, esperança é a força responsável pela vida.
Ainda que ela seja falsa e carregada de exacerbado otimismo, é ela que nos impulsiona a continuar vivendo.
É ela que nos faz crer na humanidade e não nos deixa ser abatidos pelas tragédias diárias vistas em todo lugar e que nos faria desistir.
É ela que nos faz ter forças para procurar reconstruir-se após dificuldades financeiras, consequentes do sistema capitalista massacrante.
Enfim, João vendeu sua esperança, apenas por motivos materiais.
Assim como este personagem fictício de um exercício, milhares de pessoas fazem isso todos os dias.
Trocam o amor, por benefícios de poder e capital; trocam o tempo, por trabalho; corrompem-se moralmente, por interesses no mercado e assim por diante.
Isso tudo consequente dessa sociedade alienada pelos meios de comunicação e pelas próprias pessoas já contaminadas pelo capitalismo selvagem: em querer tudo mais atualizado, em consumir tudo que é imposto, em querer sempre o melhor produto, o mais caro e o que gera mais atenção em determinado meio.
Acabamos por viver em uma sociedade de aparências, na qual os "Joões" são responsáveis por girar uma engrenagem.
Engrenagem essa que devasta matas, biomas e gera problemas ambientais.
Que tortura animais e mata-os pela puro prazer de "comer um bacon",
Que leva uma "massa" a uma escravidão escondida no ciclo vicioso de trabalhar para conseguir mais dinheiro e usar esse dinheiro para comprar,
Que beneficia uma pequena parcela de pessoas. Pessoas essas que acredita, estarem felizes, mas que acabam corrompidas pelo poder e pelo capital, perdendo a verdadeira essência do que é "aproveitar" a vida.
Engrenagem essa, que marginaliza os diferentes e massifica os que aceitam serem iguais.

Engrenagem essa, que pode ser atualmente chamada de "Máquina da Vida".




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