terça-feira, 15 de setembro de 2015

Óbito existencial

Este "mix" de poema e prosa fora escrito cerca de um mês atrás, classificando-se como uma espécie de desabafo íntimo:

Não mais sinto meu coração,
Não mais sinto sua palpitação,
Ele está morto.
Nada mais é ativado nessa carne,
Que não atrevo a denominar corpo.
Como uma pedra, meu coração parece não mais bombear sangue, 
Deixando de rosear meus lábios,
Deixando de corar minha pele.

O que resta é uma palidez mórbida,
Seca
Dura
Incapaz de contorcer-se para demonstrar afeto,
Preocupação,
Ou qualquer manifestação sentimental.

Não me comovo,
Não me entristeço,
Não me decepciono,
Nem me reconheço,

Não mais me suporto,
Não há mais suporte.

Humanos ligados a mim
Despedem-se,
Deixam-me,
Ignoram-me,
E aos poucos esvairam-se por entre meus dedos mortos.
Não sou mais humana.

A vontade em buscar relações pessoas,
Em mantê-las,
Conservá-las,
É praticamente inexistente.

Não há se quer alma para envolver-se em tais laços, os quais 
Sufocam-me,
Obrigam-me
A ações que não aprecio mais,
Iludem-me
E aos poucos afrouxam-se
Para prejudicar mais,
Machucar mais,
Deixando-me mais fraca,
Desamparada,
Sozinha.

Essas relações humanas...

O que resta é uma alma cansada,
Condenada,
Cheia de cicatrizes dolorosas
E feridas incuráveis
                                     (Até mesmo pelo tempo, nosso maior bem e maior mal)

Esse resquício de alma não é mais controlada pelos impulsos nervosos, que inutilmente ainda percorrem (despercebidamente) essa carniça petrificada.

Atos incontroláveis,
Impensados
São realizados, como uma bomba quando explode e possui capacidade de destruição em massa.

Não mais há...









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